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terça-feira, 29 de outubro de 2013

Uma cidade repensada


"Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar." – Zygmunt Bauman


Um povo, um lugar, uma cultura. Imaginar uma cidade é como traçar o próprio destino e levantar vôo para a vida, em busca do prazer que ela pode oferecer aos seus moradores, visitantes ou turistas ávidos por novos ares e clicks inusitados. É sobretudo revisitar os acontecimentos e perceber as transformações ao longo do tempo: das paisagens emergentes às novas gerações com modernos hábitos e mudanças de comportamento.

A história nos dá esse prazer de viajar e poder contar, ou melhor, narrar com nossa própria linguagem acerca dos mundos construídos e modificados pelo homem ou pela mãe natureza em qualquer lugar do planeta. Por isso, penso que o ser humano, antes de um ser local, fincado na terra, ele é universal, pois viver já é o suficiente para mostrar que estamos num mesmo barco, navegando para novos descobrimentos.

São Mamede é assim: uma mostra real de caminhos, possibilidades, gente ousada e esperançosa, que se destaca e não tem medo de trabalhar em prol da valorização da memória dos seus familiares, amigos, da sua história e da sua cidade. Claro que não desejo traçar aqui metas e planejamentos para o desenvolvimento da cidade – pois já há quem trabalhe para isso -, o que me deixa ainda mais esperançosa de que um dia ela possa servir de exemplo para outros municípios – uma cidade-modelo. 

Tudo é possível, desde que haja seres humanos empenhados e que lutem por uma causa.



Lya Luft, com sua carga pesada de lucidez perante as palavras, fala de algo interessante e que nos faz repensar nosso lugar no mundo, nem que seja por poucos minutos, mas é algo que martela em nosso íntimo, talvez por falta de atitude diante das situações cotidianas que nos tiram o chão. Assim ela se questiona e nos direciona em A riqueza do mundo: Deve ser o nosso jeito de sobreviver, não comendo lixo concreto, mas ruminando lixo moral e fingindo que está tudo bem. Pois se nos sentimos de verdade parte disso, responsáveis por isso, como continuar uma vida cotidiana e banal? O que fazer, como mudar? Talvez empregando diferentemente a riqueza do mundo. Entendo que, quando ela fala do lixo concreto e moral, há um fundamento maior e um chamado desesperador para ocuparmos de forma responsável nosso espaço e tempo, para darmos conta do que está em nossas mãos, e não nos deixarmos levar pelo que a vida oferece de melhor ou situações não tão agradáveis. É assumir nossa postura guerreira pelas causas que gritam por visibilidade - aqui, é do lugar que existe.

São Mamede possui tradição em festas como a celebração de São Sebastião, a encenação da Paixão de Cristo por seus moradores, o São Pedro, a Festa Universitária e o encontro dos amigos, o Sete de Setembro, a celebração da Padroeira da cidade Nossa Senhora da Conceição, a Festa do Reencontro dos ausentes Saomamedenses. São festas que nos enchem de saudosismo, unem o sagrado e o profano, retornam com memórias cada vez mais vivas.

É bom lembrar também dos sítios arqueológicos e pinturas rupestres, da extinta COCEPA (cooperativa de algodão), das antigas fazendas, suas famílias e seus moradores, das praças, do mercado, dos grupos escolares, da Igreja Matriz e seu entorno, das primeiras ruas, das vaquejadas, do artesanato, dos artistas, do povo, enfim, dos aspectos imensuráveis que construíram a história de São Mamede, desde a primeira ocupação até os dias contemporâneos, e permanecem erguendo um memorial que convida novos olhares exploradores.

São os incontáveis aspectos do lugar, a criatividade de seus habitantes, o aparato simbólico cultural, a economia, a política, a religião, as artes e o poder das ações incutidas de vivências e experiências particulares que nos propõem atitudes ousadas e possíveis. É mais que um retrato histórico e social da cidade - é a memória que deve ser preservada.



3 comentários:

Unknown disse...

Patrícia,

Me sinto imensamente feliz e honrado em tê-la como colunista do Portal São Mamede, esse projeto que cresce a cada dia, mas, principalmente, pelas maravilhosas trocas de idéias que temos realizado ultimamente, pelas boas intenções que compartilhamos para o crescimento da cultura sãomamedense e por ver seu sucesso, enquanto amiga pessoal e cidadã sãomamedense, mundo afora.

Parabéns querida!

Torço para que, com suas "Palavras e atitudes" muitos possam se espelhar no seu exemplo de busca por dias, horizontes e conhecimentos melhores, sem esquecer as raízes culturais de suas origens.

Muito obrigado por estar conosco!!

Anônimo disse...

È sempre bom ler um comentario desse nível,porem Patricia é necessario uma concientização da nossa historia e tradição.Nossos monumentos antigos estão dando lugar ao modernismo,não somos contra ,porem precisa-se conservar e manter a tradição.Tinhamos uma bela praça c um coreto,foi destruida,o Grupo Serafico Nobrega,a rodoviaria de uma arquitetura em circulo,o antigo matadouro,etc....Pq não transforma-los em Museu em escola de artes e construir o novo em outro local?

Unknown disse...

Agradeço pelo espaço, pelas leituras, críticas, comentários, sugestões.
Joacir, acredito que essas trocas de ideias são enriquecedoras! Pensar nosso espaço, nossa construção de mundo, independente de onde estivermos.

Em relação ao comentário anterior (ANONIMO) vejo que é muito pertinente essa dicotomia antigoXmoderno; há coisas que necessitam ser pensadas, repensadas, avaliadas, o que é que realmente se quer para a história do lugar. É aí que entram as raízes culturais, a tradição, a preservação do patrimônio material e imaterial.

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