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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Memórias de um pai - Família Siriema

Nada traduz melhor "Zé Siriema" do que a fazenda Riacho do Tambor, impregnada pela sua presença por todos os cantos.


Seus aboios ainda ecoam nos currais, como nos tempos em que levantava de madrugada para a ordenha e chamava cada vaca pelo nome: Estrela, Laranjeira, Asa Branca, Amarelinha...Sem falar do touro Tupã e no boi Pintor, companheiro de muitos anos de jornada. Seus olhos marejaram no dia em que o vendeu para o abate e só o fez porque o mesmo estava velho demais para a lida.

Como se esquecer do gibão, da perneira e do chapéu-de-couro (seu traje preferido), do seu cavalo alazão (impecavelmente celado) e do cachorro Vigilante, fiel escudeiro nas campeadas?


Como não falar das festas de vaquejada que tanto gostava, das cantorias e dos repentes, nos quais seu nome era sempre mencionado?

Como olhar para a varanda da casa e não vê-lo na rede ou na cadeira de balanço, que ele chamava de preguiçosa?

Como chegar na sala de jantar e não vê-lo à cabeceira da mesa, degustando carne-de-sol com inhame, tapioca, pamonha ou cuscuz?

Nada lhe dava mais júbilo que a chuva, os açudes transbordando, anunciando a fartura, a colheita do algodão (seu ouro branco), do milho, do feijão...

Nada lhe fascinava mais que o gado no pasto verdejante.

Nenhum perfume lhe agradava mais que o cheiro da terra, do mato e do gado.

Nada se comparava à sua alegria ao ver reunidos os filhos, netos e bisnetos.

Poeta nenhum descreverá o seu amor por Maria, a eterna namorada, (cujo nome foi a última palavra a balbuciar) ou escreverá o poema que seus olhos recitavam quando a viam.

Nada preenche o vazio que ele deixou, a não ser a certeza de que está num lugar muito especial, onde não há mais lágrimas, nem clamor, nem dor. Um lugar que Deus, de bom grado, lhe reservou por galardão.


 Escrito por: Maria do Socorro (Família Siriema)

1 comentários:

2808 disse...

Muitas saudades...

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