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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Maria Bracinho

Nascida numa família numerosa, Maria Clementino de Souza (Maria Bracinho), demonstrou ainda na infância os traços fortes de sua personalidade: espírito decidido, com determinação em superar sua própria condição física; não hesitou em deixar claro para os pais, familiares e demais conhecidos que sua  deficiência não seria empecilho para a realização dos seus objetivos pessoais.

A necessidade  de afirmação e sobrevivência, sem recorrer a caridade pública,  fez com que ela suplantasse suas deficiências físicas, tornando-se uma professora de curso primário em São Mamede, onde nasceu e viveu.


Quando os pais resolveram mudar-se para a zona rural, Maria fez questão de permanecer na cidade, onde teria condições de estudar e trabalhar. Aos 15 anos de idade já demonstrava tal independência, tendo desenvolvido meios próprios de prover suas necessidades pessoais e de ajudar no sustento familiar. Seu dinamismo pessoal, somado ao explícito interesse em aprender, descobrir, inovar, fez com que Maria Bracinho se tornasse uma mulher polivalente, desenvolvendo atividades aprendidas praticamente com o esforço próprio, como autodidata, sem orientação direta de algum profissional.

Ela, que nasceu com os braços atrofiados, escrevia melhor do que muitos de nós. O que aprendeu, as custas de muitas dificuldades, transmitia a seus pequenos discípulos com rigidez e disciplina; talvez por isso, esses pequenos tenham se tornado grandes líderes na idade adulta: prefeitos, parlamentares, doutores... Várias personalidades de destaque hoje em dia, passaram pela disciplina da palmatória de Maria Bracinho.

Alem de escrever (inclusive com os pés), Maria (solteira) bordava, costurava, pintava e desenhava sem nenhum embaraço. Ela sempre dizia que não tinha nenhuma frustração em razão de sua deficiência física.

Em 2006, Maria foi homenageada por seu ex-aluno Antônio Lisboa Leitão de Souza, atualmente Professor do Departamento de Estudos Sociais e Educacionais/UFRN, tendo Mestrado em Educação na mesma Instituição e Doutorado em Educação na Faculdade de Educação da USP, com  estágio na Universitè Paris 8-2001. Na oportunidade, Lisboa fora convidado a palestrar nas comemorações alusivas ao “Dia do Professor” na nossa cidade de São Mamede. Na ocasião, o mesmo estava lançando o livro “Livro de Memórias”, onde Maria figurava como ícone da Educação do Município. Seus familiares foram convidados de honra, e receberam orgulhosos as várias homenagens feitas a Maria.




Em  entrevista ao Jornal “O Norte”, Maria escreveu (com os pés):

“Com a imperfeição que tenho, me sinto bastante feliz. Tudo com Deus. São Mamede, 21 de novembro de 1973. Maria Clementino de Souza.”

São Mamede é mesmo assim: um celeiro de pessoas perseverantes, fortes e decididas.


Fonte:  Jornal “O NORTE” , 1973; Livro de Memórias/ Grinaura Medeiros de Morais e Eugênia Dantas - João Pessoa: Idéia 2006.


2 comentários:

Anônimo disse...

cadê Manoel Augusto de Araújo e Afonso Augusto??? ruummm.. eles fizeram parte da história de são mamede tbm =/

quero uma postagem bem bonitinha deles dois =D hahaha

beeeijos

Mirna Araújo

Unknown disse...

D. Maria Bracinho, Saudades... Que Deus Abençoe.

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