Nascida numa família numerosa, Maria Clementino de Souza (Maria Bracinho), demonstrou ainda na infância os traços fortes de sua personalidade: espírito decidido, com determinação em superar sua própria condição física; não hesitou em deixar claro para os pais, familiares e demais conhecidos que sua deficiência não seria empecilho para a realização dos seus objetivos pessoais.
A necessidade de afirmação e sobrevivência, sem recorrer a caridade pública, fez com que ela suplantasse suas deficiências físicas, tornando-se uma professora de curso primário em São Mamede, onde nasceu e viveu.
A necessidade de afirmação e sobrevivência, sem recorrer a caridade pública, fez com que ela suplantasse suas deficiências físicas, tornando-se uma professora de curso primário em São Mamede, onde nasceu e viveu.
Quando os pais resolveram mudar-se para a zona rural, Maria fez questão de permanecer na cidade, onde teria condições de estudar e trabalhar. Aos 15 anos de idade já demonstrava tal independência, tendo desenvolvido meios próprios de prover suas necessidades pessoais e de ajudar no sustento familiar. Seu dinamismo pessoal, somado ao explícito interesse em aprender, descobrir, inovar, fez com que Maria Bracinho se tornasse uma mulher polivalente, desenvolvendo atividades aprendidas praticamente com o esforço próprio, como autodidata, sem orientação direta de algum profissional.
Ela, que nasceu com os braços atrofiados, escrevia melhor do que muitos de nós. O que aprendeu, as custas de muitas dificuldades, transmitia a seus pequenos discípulos com rigidez e disciplina; talvez por isso, esses pequenos tenham se tornado grandes líderes na idade adulta: prefeitos, parlamentares, doutores... Várias personalidades de destaque hoje em dia, passaram pela disciplina da palmatória de Maria Bracinho.
Alem de escrever (inclusive com os pés), Maria (solteira) bordava, costurava, pintava e desenhava sem nenhum embaraço. Ela sempre dizia que não tinha nenhuma frustração em razão de sua deficiência física.
Em 2006, Maria foi homenageada por seu ex-aluno Antônio Lisboa Leitão de Souza, atualmente Professor do Departamento de Estudos Sociais e Educacionais/UFRN, tendo Mestrado em Educação na mesma Instituição e Doutorado em Educação na Faculdade de Educação da USP, com estágio na Universitè Paris 8-2001. Na oportunidade, Lisboa fora convidado a palestrar nas comemorações alusivas ao “Dia do Professor” na nossa cidade de São Mamede. Na ocasião, o mesmo estava lançando o livro “Livro de Memórias”, onde Maria figurava como ícone da Educação do Município. Seus familiares foram convidados de honra, e receberam orgulhosos as várias homenagens feitas a Maria.
Em entrevista ao Jornal “O Norte”, Maria escreveu (com os pés):
“Com a imperfeição que tenho, me sinto bastante feliz. Tudo com Deus. São Mamede, 21 de novembro de 1973. Maria Clementino de Souza.”
São Mamede é mesmo assim: um celeiro de pessoas perseverantes, fortes e decididas.
Fonte: Jornal “O NORTE” , 1973; Livro de Memórias/ Grinaura Medeiros de Morais e Eugênia Dantas - João Pessoa: Idéia 2006.
Fonte: Jornal “O NORTE” , 1973; Livro de Memórias/ Grinaura Medeiros de Morais e Eugênia Dantas - João Pessoa: Idéia 2006.






